Reino Unido deve anunciar novos aumentos de impostos no Orçamento 2025
A ministra das Finanças do Reino Unido, Rachel Reeves, enfrenta um dos momentos mais decisivos de sua gestão ao apresentar o Orçamento de 2025, que deve incluir entre £20 bilhões e £30 bilhões em novos aumentos de impostos. A medida ocorre apenas um ano após o maior pacote de elevações tributárias desde a década de 1990 e reflete a deterioração da perspectiva econômica do país.
11/26/2025


Com crescimento moderado, inflação persistente e custos de empréstimos elevados, o espaço fiscal do governo britânico encolheu significativamente — pressionando Reeves a tomar decisões difíceis para estabilizar as contas públicas.
Desafios fiscais e justificativa para novos aumentos
Reeves antecipou que as medidas anunciadas serão “justas e necessárias” para garantir a saúde econômica de longo prazo do país. Ela reconheceu que parte da população está frustrada com a lentidão das melhorias econômicas.
“Sei que as pessoas se sentem frustradas com o ritmo das mudanças ou irritadas com a injustiça em nossa economia”, afirmou a ministra em comentários divulgados antes do seu discurso. “Os danos causados pela austeridade, um Brexit caótico e a pandemia foram piores do que pensávamos.”
O pronunciamento oficial está previsto para 09h30 (horário de Brasília).
Prioridades do governo para 2025
Apesar do novo esforço arrecadatório, Reeves afirma que o governo não pretende retomar políticas de austeridade. Entre as prioridades destacadas:
Apoiar famílias em meio ao custo de vida elevado.
Reduzir as filas hospitalares no sistema de saúde pública.
Controlar a dívida pública sem recorrer a empréstimos excessivos.
A ministra também ressaltou que o governo buscará equilíbrio entre responsabilidade fiscal e investimentos estratégicos.
Panorama econômico: crescimento frágil e inflação elevada
Mesmo com esforços anteriores, a economia britânica continua vulnerável. Entre os principais fatores:
Projeções econômicas negativas
Crescimento estimado de aproximadamente 1,2% em 2025.
Inflação ainda a mais alta entre os países do G7.
Desemprego em alta, especialmente entre os jovens.
Impacto de políticas equivocadas
Erros políticos recentes ampliaram a incerteza no mercado, incluindo recuos estratégicos e medidas tributárias consideradas insuficientes. Durante a campanha eleitoral, o governo prometeu não aumentar impostos para famílias trabalhadoras — promessa que acabou restringindo a capacidade de arrecadação.
Medidas alternativas, como aumentos limitados em nichos específicos, arrecadaram pouco e incentivaram contribuintes de alta renda a deixarem o país.
Falhas no controle de gastos públicos
O governo também abandonou dois cortes de despesas planejados:
Redução do apoio ao aquecimento para aposentados.
Limitação de pagamentos de assistência social.
Essas ações, inicialmente pensadas para conter gastos, falharam por causa de problemas de implementação. Segundo o Instituto de Estudos Fiscais, o recuo nessas reformas é hoje uma das principais causas do aumento projetado do endividamento público para os próximos anos.
Expectativa do mercado: necessidade de um plano fiscal crível
Economistas apontam que Reeves precisará apresentar um pacote robusto e confiável para restaurar a confiança e reduzir o déficit.
“Para que o governo mantenha a credibilidade fiscal, deve entregar uma redução material no déficit nos próximos dois anos”, afirmou Andrew Wishart, economista da Berenberg, em declaração à Reuters.
Pressões políticas internas
Dentro do Partido Trabalhista, cresce a pressão para eliminar o limite de dois filhos no apoio social às famílias. A mudança, porém, poderia elevar os gastos anuais em cerca de £3 bilhões, adicionando mais desafios ao já apertado orçamento de Reeves.
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