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Giro de Mercado — Sábado

O que é CDI? Entenda de forma simples como funciona o principal índice da renda fixa

O CDI é um dos termos mais importantes do mercado financeiro brasileiro e aparece em quase todas as aplicações de renda fixa. Mesmo assim, muitos investidores iniciantes não sabem exatamente o que ele significa ou como afeta seus investimentos. Este guia explica de maneira simples e definitiva o que é CDI, para que ele serve e por que é tão usado pelos bancos e pelo mercado.

O que é CDI?

O CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é uma taxa usada como referência para empréstimos entre bancos. Essas instituições precisam emprestar dinheiro umas às outras diariamente para fechar o caixa, e esses empréstimos têm uma taxa — o CDI.

Com o tempo, o CDI se tornou um indexador de investimentos, funcionando como um “termômetro” da renda fixa no Brasil.

Por que o CDI é importante?

O CDI é fundamental porque serve como referência de rentabilidade para diversos investimentos, principalmente:

  • CDBs

  • LCIs e LCAs

  • Fundos DI

  • Debêntures

  • CRIs e CRAs

  • Títulos de crédito privado

Quando um investimento diz que rende, por exemplo, 120% do CDI, significa que ele terá uma rentabilidade proporcional à taxa CDI.

CDI x Selic: qual a diferença?

O CDI acompanha de perto a Selic, mas eles não são a mesma coisa.

Selic

  • É a taxa básica de juros da economia.

  • Definida pelo Banco Central.

  • Afeta todas as operações de crédito e investimentos.

CDI

  • É a taxa média dos empréstimos entre bancos.

  • Fica muito próxima da Selic, mas sempre levemente abaixo.

  • Usada como referência de rentabilidade na renda fixa privada.

A Selic guia o mercado; o CDI acompanha.

Como o CDI afeta seus investimentos?

Quando a taxa CDI está alta, investimentos atrelados a ela tendem a render mais. Quando está baixa, a rentabilidade diminui.

Exemplo simples

Se o CDI for de 10% ao ano e você investir em um CDB que paga 100% do CDI, sua rentabilidade será exatamente 10% ao ano.

Já em um CDB que paga 120% do CDI, a rentabilidade seria de:

120% × 10% = 12% ao ano

Investimentos que mais usam o CDI como referência

1. CDBs (Certificados de Depósito Bancário)

São os mais comuns. A maioria rende um percentual do CDI.

2. Fundos DI

Buscam acompanhar a taxa CDI, investindo em títulos de curto prazo.

3. LCIs e LCAs

Embora sejam isentas de IR para pessoas físicas, muitas seguem o CDI.

4. Debêntures e outros títulos privados

Podem ter remuneração prefixada, IPCA + taxa fixa ou percentual do CDI.

Quando o CDI sobe ou desce?

O CDI oscila conforme a Selic, porque o custo do dinheiro entre bancos é influenciado por ela.

O CDI tende a subir quando:

  • A inflação está alta

  • O Banco Central aperta a política monetária

  • Há menor liquidez no mercado

O CDI tende a cair quando:

  • A inflação está controlada

  • Há estímulos econômicos

  • O Banco Central reduz a Selic

CDI do dia, mês e ano: o que significa?

  • CDI diário: taxa usada para calcular rentabilidade no dia a dia dos investimentos.

  • CDI mensal: acumulado de todos os dias úteis do mês.

  • CDI anual: acumulado do ano, usado como referência geral do mercado.

Os investimentos de renda fixa usam o CDI diário para calcular os ganhos.

Resumo final

O CDI é uma taxa de referência usada pelos bancos e muito importante para investidores. Ele serve para calcular a rentabilidade de vários produtos de renda fixa e costuma acompanhar de perto a taxa Selic. Entender o CDI ajuda a comparar investimentos, avaliar oportunidades e compreender melhor o funcionamento do mercado financeiro brasileiro.

Giro de Mercado — QUARTA-FEIRA

Panorama internacional

Os mercados globais avançaram nesta quarta-feira, acompanhando o aumento das apostas em corte de juros pelo Federal Reserve em dezembro. Nos EUA, S&P 500 e Nasdaq subiram apoiados por tecnologia e consumo, após novos dados indicarem perda de força no gasto das famílias e na confiança.

Na Europa, o Stoxx 600 acompanhou o movimento positivo. O alívio nas tensões geopolíticas e a expectativa pelo orçamento do Reino Unido sustentaram as principais bolsas da região.

A Ásia seguiu em ritmo semelhante: Japão e Coreia tiveram alta consistente puxada por tecnologia e semicondutores, enquanto China e Hong Kong registraram desempenho mais irregular devido a notícias corporativas locais e dados econômicos ainda fracos.

Dólar e juros

O mercado elevou a probabilidade de um corte de 25 pontos-base pelo Fed em dezembro, pressionando as taxas curtas dos Treasuries e favorecendo ativos de maior risco. Esse movimento também limitou o avanço do dólar frente a algumas moedas, enquanto euro e libra ganharam leve tração.

As curvas de juros passaram por ajustes moderados, com investidores monitorando os próximos indicadores de atividade e inflação dos EUA. O iene seguiu volátil diante das especulações sobre a atuação do Banco do Japão.

Criptomoedas

O Bitcoin operou na faixa de US$ 87–88 mil, ainda abaixo das máximas recentes, mas mostrando recuperação após a forte correção da semana anterior. O mercado continua reagindo principalmente ao fluxo de ETFs e aos movimentos macro ligados ao dólar e aos juros.

Altcoins acompanharam o desempenho do BTC, com maior firmeza em projetos ligados à infraestrutura de blockchain e soluções voltadas a IA, que seguem recebendo atenção institucional.

Pontos técnicos do dia

  • Volatilidade permanece elevada.

  • Suporte relevante para BTC entre US$ 82–85 mil.

  • Resistência imediata na região de US$ 92–95 mil.

Postado 6:08 26/11/25

Por Vinicius Fontineli

Giro de Mercado — TERÇA-FEIRA

Relatório Focus, ações em alta/baixa e análise do setor Bancos

Relatório Focus: o que mudou (claro e direto)

O Relatório Focus mais recente mostra leve acomodação nas expectativas, com pequena revisão para baixo na inflação projetada e manutenção de cenários ainda rígidos para juros e crescimento. A mediana do IPCA para 2025 caiu marginalmente (para cerca de 4,45%), enquanto as projeções para o PIB permanecem estáveis em ~2,16% para 2025 e desaceleração moderada para 2026. Para a Selic, o mercado mantém a previsão de fechamento de 2025 em 15%, com expectativa de redução gradual em 2026 (para patamares próximos a 12% na mediana dos agentes).

Impacto imediato: a leitura confirma um ambiente de juros reais ainda elevados, o que sustenta renda fixa e pressiona valuation de ativos de longo prazo; por outro lado, a ligeira baixa na projeção de inflação ajuda a reforçar apostas em cortes previstos para 2026, o que tende a beneficiar ativos de risco no médio prazo.

Ações — maiores altas e maiores quedas (resumo do pregão)

Maiores altas do dia (seleção): MRV registrou forte alta entre os papéis do Ibovespa, impulsionada por resultados e revisões positivas de lucro. Outros papéis ligados ao varejo/consumo apresentaram recuperação após correções recentes.

Maiores quedas do dia (seleção): CSN Mineração e frigoríficos/empresas exportadoras foram destaque entre as perdas, com reação negativa a ajuste de preços de commodities e fluxo externo; ações do setor de turismo e algumas small caps também figuraram entre as piores.

Nota de mercado: a sessão foi marcada por volatilidade seletiva — investidores buscaram papéis com gatilhos corporativos (resultados, guidance) enquanto se mantiveram cautelosos com nomes mais expostos a commodities e risco externo.

Setor em foco — Bancos: tendências, riscos e o que observar

Panorama atual

O setor bancário opera sob duas forças contrapostas: resiliência operacional das grandes instituições e pressões pontuais por eventos idiossincráticos (como a liquidação do Banco Master), que ampliam o debate sobre governança, FGC e supervisão. O Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) do Banco Central ressaltou que o crescimento do crédito “continuou desacelerando” — reflexo da política monetária restritiva e da moderação da atividade — embora o ritmo ainda seja historicamente elevado.

Tendências que moldam o setor

  • Desaceleração do crédito: bancos ajustam oferta e provisões, o que tende a segurar receita de juros recorrentes no curto prazo. Banco Central do Brasil

  • Maior escrutínio regulatório e reputacional: episódios como o do Master ampliam atenção sobre compliance e qualidade dos ativos comprados por terceiros (carteiras cedidas, CDBs), reforçando due diligence nas áreas de tesouraria e originação. Broadcast+1

  • FGC e risco moral: discussões públicas sobre limites de garantia e custo ao fundo (e aos bancos contribuintes) entram no radar de analistas e investidores institucionais.

Riscos imediatos

  1. Contágio reputacional: mesmo sem risco sistêmico, casos idiossincráticos pressionam papéis bancários com maior exposição direta ou reputacional. Broadcast

  2. Qualidade de crédito: a elevação da inadimplência em carteiras sensíveis (p. ex. agronegócio ou varejo) pode exigir provisões adicionais. CNN Brasil

  3. Cenário macro: manutenção prolongada da Selic em patamar elevado pressiona margem e demanda por crédito; expectativa de cortes só aliviaria essa pressão no horizonte projetado pelo mercado.

O que monitorar nos próximos dias

  • Divulgação de resultados trimestrais dos grandes bancos (margens, NII, provisioning).

  • Comunicações do Banco Central e do Comef sobre postura macroprudencial e possíveis ajustes ao ACCP. Banco Central do Brasil

  • Evolução do caso Master (lista de credores, impacto no FGC) e eventuais efeitos sobre provisões de instituições com exposição.

Conclusão rápida

O Relatório Focus traz sinais de acomodação inflacionária, mas mantém juros altos no curto prazo — cenário que segue favorecendo renda fixa e exigindo seletividade em renda variável. No mercado acionário, movimentos intradiários responderam a resultados e reprecificação de risco; no setor bancário, a combinação entre desaceleração do crédito e choques idiossincráticos impõe cautela, com atenção especial a provisões, governança e exposição a carteiras de terceiros.

Postado 7:17 25/11/25

Por Vinicius Fontineli