Mercados Globais: Futuros dos EUA se estabilizam, Japão injeta estímulos e Bitcoin desaba para mínima de sete meses
Os mercados internacionais iniciaram a sexta-feira com sinais mistos. Enquanto os futuros das bolsas americanas tentam se recuperar das perdas recentes, o Japão aprova um robusto pacote de estímulos e o Bitcoin enfrenta nova onda de liquidação, refletindo o aumento da aversão ao risco. No Reino Unido, a pressão fiscal se intensifica na véspera do orçamento da próxima semana, enquanto o petróleo caminha para mais uma semana negativa.
11/21/2025


1. Futuros dos EUA tentam estabilização após fortes quedas
Após uma sessão marcada por aversão ao risco, os futuros das ações americanas operam próximos da estabilidade. Investidores continuam avaliando a probabilidade de que o Federal Reserve corte juros na próxima reunião—ainda mais improvável após a criação de empregos acima do esperado em setembro.
Às 05h (de Brasília), o S&P 500 futuro recuava 0,1%, o Nasdaq 100 cedia 0,2% e o Dow Jones avançava 0,1%.
Os três principais índices acumulam perdas expressivas na semana, pressionados pelo ajuste nas expectativas para a política monetária e pela realização de lucros após resultados robustos do terceiro trimestre, especialmente da Nvidia, cuja performance ainda sustenta parte do otimismo em IA.
Os mercados também monitoram indicadores como os PMIs de novembro, produção industrial e início de novas moradias, além do índice de sentimento do consumidor de Michigan.
No cenário corporativo, a Gap ganha destaque após divulgar vendas comparáveis acima das projeções, impulsionadas pelo bom desempenho das marcas Old Navy e Banana Republic.
2. Japão aprova pacote de estímulo e eleva possibilidade de intervenção no iene
O parlamento japonês aprovou um pacote de estímulo de ¥21,3 trilhões (US$ 135 bilhões), parte da estratégia da premiê Sanae Takaichi para reforçar setores estratégicos e sustentar a retomada econômica. O plano inclui subsídios, incentivos fiscais temporários e recursos voltados para semicondutores, IA e construção naval.
Mesmo com leve alta nesta sexta-feira, o iene caminha para uma queda semanal de 1,7% frente ao dólar, após renovar mínimas de dez meses.
Diante da volatilidade, a ministra das Finanças, Satsuki Katayama, voltou a mencionar a possibilidade de intervenção cambial. A última intervenção significativa ocorreu em julho de 2024, quando Tóquio gastou ¥5,53 trilhões (US$ 37 bilhões) para segurar o enfraquecimento da moeda.
3. Bitcoin atinge mínima de sete meses e amplia liquidação no mercado cripto
O Bitcoin aprofundou as perdas nesta sexta-feira, pressionado pela redução do apetite global por risco e pela percepção de que o Fed pode manter juros elevados por mais tempo.
A criptomoeda recuou mais de 6%, rompendo os US$ 86 mil e tocando US$ 85.350 — o menor nível em sete meses. Na semana, acumula queda superior a 9%.
O cenário de incerteza na tecnologia e o realinhamento das expectativas para os cortes de juros nos EUA aumentaram a volatilidade. Segundo dados da CoinGecko, aproximadamente US$ 1,2 trilhão foi evaporado do valor total de mercado das criptomoedas nas últimas seis semanas.
4. Reino Unido enfrenta pressão fiscal crescente antes do orçamento
Dados divulgados nesta sexta-feira reforçam o desafio fiscal enfrentado pela chanceler britânica Rachel Reeves. O governo do Reino Unido tomou emprestado £17,4 bilhões em outubro, acima das previsões e pressionado pelo aumento dos custos de financiamento.
Economistas estimam que Reeves precisará levantar entre £20 bilhões e £30 bilhões em receitas adicionais, em meio ao crescimento mais fraco, juros altos e dificuldades para avançar com cortes no bem-estar social.
O consumidor britânico também mostra sinais de desgaste: as vendas no varejo caíram 1,1% em outubro, e o índice de confiança da GfK voltou a recuar.
5. Petróleo recua e caminha para perdas semanais
Os preços do petróleo seguem pressionados pela perspectiva de um potencial acordo de paz entre Rússia e Ucrânia, o que poderia aliviar parte do risco geopolítico embutido nas cotações.
O Brent caía 1,7%, a US$ 62,30, enquanto o WTI recuava 2%, a US$ 57,85. Ambos caminham para perdas semanais acima de 3%.
As sanções iminentes contra as petrolíferas russas Rosneft e Lukoil, somadas às negociações diplomáticas conduzidas pelos EUA, influenciam o sentimento. O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy afirmou ter recebido um plano de paz de 28 pontos, elaborado por Washington e Moscou, e aguarda conversa com o presidente dos EUA, Donald Trump.
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