Mercado observa resultados da Nvidia sob lupa enquanto temores de bolha em IA ganham força

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11/18/2025

Expectativas elevadas cercam balanço da Nvidia e colocam boom da IA à prova

O desempenho trimestral da Nvidia, que será divulgado nesta quarta-feira, tornou-se um dos eventos mais aguardados por Wall Street. O resultado da fabricante de chips — peça central no ecossistema de inteligência artificial (IA) — é visto como decisivo para medir a sustentabilidade do entusiasmo que impulsionou o setor nos últimos anos.

Três anos após a estreia do ChatGPT, cresce entre investidores e executivos a percepção de que o avanço vertiginoso da IA pode ter ultrapassado os fundamentos econômicos. Alguns líderes corporativos alertam para uma possível “economia circular” dentro do setor, na qual empresas interdependentes sustentam artificialmente as receitas umas das outras, elevando o risco de formação de bolha.

Investidores cautelosos reduzem exposição enquanto ações recuam em novembro

Parte dos grandes investidores começou a reduzir posições ligadas à IA, alimentando receios de uma correção mais ampla no mercado. No terceiro trimestre:

  • O fundo do bilionário Peter Thiel liquidou toda sua participação na Nvidia;

  • Masayoshi Son, da SoftBank, também vendeu suas ações, realocando parte dos recursos em um investimento expressivo na OpenAI.

Esse reposicionamento ocorre após as ações da Nvidia acumularem 1.200% de alta em três anos, mas sofrerem queda de 7,9% em novembro, em contraste com o recuo de 2,5% do mercado mais amplo.

Segundo Brian Stutland, diretor da Equity Armor Investments, “cada trimestre se torna mais crucial para entender o rumo da IA e o volume real de investimentos no setor”.

Demanda segue forte, mas ritmo desacelera e valor se comprime

Apesar das preocupações, a procura pelos chips avançados da Nvidia continua elevada. Grandes provedores de nuvem, como a Microsoft, anunciaram novos investimentos bilionários em infraestrutura de IA, reforçando a relevância da companhia no mercado.

Ainda assim, analistas esperam um desempenho mais moderado. A projeção da LSEG indica:

  • Alta de 56% na receita trimestral, chegando a US$ 54,92 bilhões;

  • Bem abaixo do crescimento de três dígitos observado em trimestres anteriores.

A Nvidia superou estimativas em 12 balanços consecutivos, mas a diferença entre expectativa e entrega vem diminuindo, o que reforça a atenção sobre o próximo resultado.

O CEO Jensen Huang afirmou recentemente que a empresa tem US$ 500 bilhões em encomendas programadas envolvendo chips de IA até 2026 — uma sinalização de demanda robusta, mas que também aumenta a responsabilidade sobre execução e margens.

Chips atualizados anualmente alimentam críticas e pressionam margens

O investidor Michael Burry — conhecido por sua aposta contra o mercado imobiliário antes de 2008 — mantém posições contrárias ao otimismo sobre a Nvidia.
Ele afirma que grandes empresas de nuvem estariam inflando seus resultados ao estender artificialmente a vida útil depreciável de equipamentos de IA, incluindo os chips da Nvidia.

Esse cenário é agravado pelo ciclo acelerado de inovação da empresa:
a Nvidia atualiza seus chips todos os anos, tornando gerações anteriores obsoletas rapidamente, embora o mercado de revenda permaneça aquecido.

A fabricante também enfrenta margens pressionadas devido ao lançamento de sistemas mais complexos, que agregam:

  • GPUs e CPUs em módulos integrados;

  • Redes de alta performance;

  • Novas soluções de resfriamento;

  • Chips topo de linha Blackwell e, em breve, a família Rubin.

Com isso, o mercado espera:

  • Queda de quase 2 p.p. na margem bruta ajustada, para 73,6%;

  • Lucro líquido de US$ 29,54 bilhões, alta de 53% ano a ano.

Enquanto isso, a TSMC amplia sua capacidade de empacotamento avançado para reduzir gargalos produtivos — essencial para atender a demanda crescente da Nvidia.

Investimentos bilionários e riscos no balanço

Outro ponto de atenção são os grandes investimentos estratégicos da Nvidia:

  • US$ 100 bilhões aplicados na OpenAI;

  • US$ 5 bilhões investidos na Intel.

Esses movimentos, somados ao avanço agressivo em novos chips, levantam questionamentos sobre como o balanço da empresa absorverá essas iniciativas. Em julho, a companhia reportou US$ 11,64 bilhões em caixa e equivalentes, cifra considerada modesta diante da amplitude dos investimentos.

China segue como desafio geopolítico e comercial

A China permanece como um ponto sensível para a Nvidia. A companhia está impedida de exportar seus chips mais avançados ao país devido às restrições impostas pelos Estados Unidos.

Apesar de rumores sobre uma possível versão reduzida do chip Blackwell para o mercado chinês, Jensen Huang afirmou que não há negociações ativas nesse sentido — um fator que pode afetar o crescimento internacional da empresa.

Por que o mercado vai examinar o resultado com “microscópio”

Os resultados da Nvidia ganharam peso desproporcional no mercado global por três motivos principais:

  1. Liderança absoluta no ecossistema de IA — suas GPUs definem o ritmo da indústria.

  2. Impacto sistêmico — um desempenho forte pode sustentar a confiança geral no segmento; um resultado fraco pode desencadear correções globais.

  3. Avaliação esticada — após multiplicar seu valor de mercado, a Nvidia tornou-se referência para medir o ciclo da IA.

Como afirma Neil Azous, gestor do ETF Monopoly:

“A Nvidia tem a capacidade de criar um mercado — não é apenas uma empresa, é um pilar de todo o ecossistema.”