Inflação básica da Noruega desacelera em novembro e reforça expectativas de corte de juros em 2026
A inflação básica da Noruega registrou uma desaceleração significativa em novembro, caindo para 3,0% na comparação anual, abaixo dos 3,4% observados em outubro, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Statistics Norway (SSB). O resultado também ficou marginalmente inferior à projeção de 3,1%, tanto de analistas quanto do próprio banco central norueguês, reforçando expectativas de que o país poderá iniciar um ciclo de flexibilização monetária já em 2026.
Autor: Vinicius Fontineli 8:00
12/10/2025


A leitura mais branda da inflação foi impulsionada, principalmente, por uma redução nos preços de alimentos e bebidas, que apresentaram queda mais intensa do que a usual para o período. O SSB destacou que promoções no varejo norueguês, especialmente envolvendo bens de consumo duráveis — como eletrônicos, eletrodomésticos e móveis — exerceram pressão adicional para baixo nos preços, contribuindo para a desaceleração mais acentuada do índice.
Além disso, campanhas agressivas promovidas pelas redes varejistas ao longo do mês, algumas delas antecipando movimentos típicos de fim de ano, também influenciaram o comportamento dos preços. Esse ambiente proporcionou alívio aos consumidores, que enfrentaram meses de inflação persistentemente acima da meta e custos de vida impactados pelos juros elevados.
A divulgação ocorre em um momento em que o Banco Central da Noruega (Norges Bank) mantém a taxa de juros em 4,00%, após decisão tomada no início de novembro. Na ocasião, a autoridade monetária indicou que não havia pressa para iniciar cortes, embora tenha reconhecido que condições mais favoráveis poderiam surgir ao longo de 2025, abrindo espaço para uma flexibilização em 2026. O dado mais recente reforça essa perspectiva, especialmente porque a inflação básica — que exclui preços voláteis de energia e impostos — é uma das métricas mais observadas pelo banco na formulação da política monetária.
Apesar do alívio pontual, analistas afirmam que o Norges Bank continuará atento ao comportamento dos salários, da atividade econômica interna e dos preços de energia, fatores que ainda representam risco para o processo de desinflação. A economia norueguesa tem mostrado resiliência, mas enfrenta pressões derivadas tanto da desaceleração global quanto de ajustes internos após sucessivos aumentos de juros ao longo dos últimos anos.
Para o início de 2026, porém, o cenário se torna mais favorável. Caso a inflação continue cedendo de forma consistente, especialmente no núcleo, cresce a chance de o banco central revisar suas projeções e iniciar uma trajetória de juros mais baixos, buscando equilibrar a atividade econômica sem comprometer o controle dos preços.
O dado de novembro, portanto, não apenas melhora o ambiente econômico imediato, como também fortalece a percepção de que a Noruega poderá ingressar em um ciclo de normalização monetária mais cedo do que antes se imaginava, caso as tendências atuais se consolidem nos próximos meses.
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