Ibovespa renova recorde acima de 164 mil pontos com expectativa de cortes de juros

O Ibovespa encerrou a quinta-feira em forte alta e renovou suas máximas históricas, superando a barreira dos 164 mil pontos. O movimento refletiu o avanço das apostas de que o Banco Central brasileiro poderá iniciar o ciclo de corte da Selic no começo de 2026, em um ambiente que também incorpora expectativas de continuidade do afrouxamento monetário nos Estados Unidos.

12/4/2025

O principal índice da bolsa brasileira subiu 1,67%, encerrando o pregão aos 164.455,61 pontos, novo recorde de fechamento. Na máxima intradiária, atingiu 164.550,77 pontos, também um recorde. O volume negociado somou R$ 31,1 bilhões.

PIB fraco reforça percepção de espaço para flexibilização monetária

A sessão começou sob impacto do resultado do PIB brasileiro: crescimento de 0,1% no terceiro trimestre ante o segundo, desempenho abaixo do esperado e o mais fraco desde o fim de 2024. Segundo a economista-chefe da InvestSmart XP, Mônica Araújo, o dado reforça que a política monetária contracionista já vem afetando a atividade, ainda que de forma gradual, o que poderia abrir caminho para um ciclo de queda da Selic a partir de março de 2026.

No mercado de juros, a probabilidade de redução de 0,25 ponto na Selic já em janeiro ultrapassou 80%, acima dos 78% registrados na véspera. A pesquisa Focus vem apontando projeção de Selic a 14,75% em janeiro, inferior ao nível atual de 15% ao ano.

Cenário externo contribui para o rali

No ambiente internacional, as expectativas de continuidade dos cortes de juros pelo Federal Reserve seguiram impulsionando ativos de risco. Ferramentas de monitoramento mostram que investidores precificavam 87% de chance de corte de 0,25 ponto na reunião do Fed da próxima semana.

O Brasil também tem se beneficiado da realocação global de portfólios, que mantém o fluxo estrangeiro positivo na B3. No ano, a entrada líquida soma cerca de R$ 27,7 bilhões.

Além disso, a proximidade da nova reforma do Imposto de Renda, que entra em vigor em 2026, estimulou empresas a anteciparem a distribuição de dividendos e JCP, fortalecendo o rali de fim de ano. Em apenas quatro pregões de dezembro, o Ibovespa já acumula alta superior a 3%.

Destaques corporativos

  • Itaú Unibanco PN avançou 2,46%, acompanhando o desempenho positivo do setor bancário.

  • Bradesco PN, Santander Brasil Unit, Banco do Brasil ON e BTG Pactual Unit também subiram entre 1% e 1,7%.

  • Vale ON emplacou a quinta alta seguida, subindo 1,74%, apoiada por recomendações positivas e visão de que a ação se comporta como um “cupom de minério de ferro”.

  • Petrobras PN ganhou 0,65% em dia de avanço do petróleo e após a estatal, em parceria com a Shell, arrematar áreas do pré-sal em leilão inédito.

  • Localiza ON disparou 5,04%, beneficiada pelo recuo das taxas futuras de juros após o PIB fraco, movimento que também impulsionou Natura ON (+3,93%).

  • Rede D'Or ON subiu 3,51% após relatório do Safra elevar a recomendação do papel e revisar o preço-alvo.

  • Ambev ON caiu 1,41% após dados do IBGE mostrarem queda na produção de bebidas alcoólicas em outubro.