Ibovespa fecha em alta após ajustes, mas permanece abaixo dos 159 mil pontos em meio a cautela eleitoral e expectativa por decisões de juros
O Ibovespa encerrou a sessão desta segunda-feira em alta moderada, recuperando parte das perdas expressivas registradas na última sexta-feira. Apesar do movimento positivo, o principal índice da bolsa brasileira permaneceu abaixo dos 159 mil pontos, refletindo um mercado ainda cauteloso diante do aumento das incertezas políticas e da proximidade de decisões importantes de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.
Autor: Vinicius Fontineli 19:20
12/9/2025


O Ibovespa avançou 0,52%, fechando aos 158.187,43 pontos. Durante o pregão, o índice oscilou entre a mínima de 157.369,36 pontos e a máxima de 159.235,36 pontos. O volume financeiro atingiu R$ 27,16 bilhões, acompanhando o clima de ajustes após a forte volatilidade observada no fim da semana anterior.
Na sexta-feira, o índice havia ultrapassado os 165 mil pontos pela primeira vez na história durante a máxima intradiária. Contudo, o movimento rapidamente perdeu força após a notícia de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria sido escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como o nome do grupo político para concorrer à Presidência da República em 2026. A reação foi imediata: o Ibovespa desabou mais de 4%, em sua maior queda diária desde 2021.
O cenário político continuou moldando o humor dos investidores no início da semana. No domingo, Flávio afirmou que existe a possibilidade de desistir da disputa, mas que isso teria “um preço”. Já nesta segunda-feira, em entrevista à Folha de S.Paulo, declarou que sua candidatura é “irreversível”, aumentando ainda mais a incerteza sobre o quadro eleitoral.
Para o analista Nícolas Merola, da EQI Research, o tombo da sexta-feira provocou uma onda de acionamento de ordens de stop loss e aumento do risco em diversas carteiras, motivando um movimento de reposicionamento no pregão subsequente. “A forte correção fez os gestores revisarem suas posições e ajustarem os portfólios, o que ajudou na recuperação de hoje”, afirmou. Ele ressaltou, no entanto, que o episódio foi determinante para deixar claro que o mercado começará a precificar o cenário eleitoral de forma mais intensa daqui para frente.
O estrategista-chefe da XP Investimentos, Fernando Ferreira, também destacou que a volatilidade deve aumentar nos próximos meses. Segundo ele, a aproximação das eleições tende a influenciar diretamente o comportamento dos ativos brasileiros, especialmente a partir de 2025. “O que vimos na sexta-feira foi apenas um prelúdio dessa dinâmica”, avaliou.
Além do ambiente político, o mercado opera em compasso de espera para as decisões de juros do Federal Reserve e do Banco Central do Brasil, ambas previstas para quarta-feira. As apostas majoritárias apontam para um corte na taxa básica norte-americana e manutenção da Selic em 10,75% no Brasil. Essas definições podem redefinir os próximos passos dos investidores e influenciar o fluxo de capital para mercados emergentes, como o brasileiro.
Com a combinação de incertezas políticas e expectativas sobre política monetária, o mercado segue atento, enquanto o Ibovespa busca retomar firmeza após um dos pregões mais turbulentos de 2024.
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