Hapvida salta 6,2% em repique, mas analistas alertam para risco de armadilha de alta

As ações da Hapvida (HAPV3) registraram um forte repique no pregão mais recente, avançando 6,2% após dias de intensa volatilidade e perdas acumuladas. Apesar do movimento expressivo, analistas de mercado apontam que o salto pode não sinalizar uma reversão consistente de tendência, levantando risco de armadilha de alta para investidores mais impulsivos.

12/4/2025

Contexto recente: setor pressionado e expectativas moderadas

Hapvida tem enfrentado um ambiente operacional desafiador desde 2022, quando a companhia consolidou a fusão com a NotreDame Intermédica. Embora o racional estratégico da união — ganho de escala, sinergias de custos e integração vertical — continue válido, o processo de harmonização das operações ainda gera impactos relevantes nas margens.

Entre os principais desafios que continuam pressionando o setor:

  • Sinistralidade elevada, especialmente em segmentos de planos individuais e PMEs.

  • Inflação médica persistente, ainda acima da inflação geral.

  • Ritmo mais lento que o esperado na captura de sinergias operacionais.

  • Necessidade de ajustes de rede e renegociação de prestadores.

O setor de saúde suplementar, como um todo, passa por reprecificação após trimestres marcados pela normalização de atendimentos pós-pandemia e aumento de custos hospitalares.

Por que o papel subiu 6,2%?

O salto no preço da ação se deve a um conjunto de fatores conjunturais:

  • Alívio momentâneo na curva de juros local, que favorece empresas intensivas em capital e com fluxo de caixa mais sensível ao custo financeiro.

  • Movimentos técnicos, já que HAPV3 vinha operando em sobrevenda em indicadores como RSI, atraindo compras especulativas.

  • Reação a expectativas de reorganização interna, com o mercado vendo potencial de melhora operacional no médio prazo.

  • Short squeeze parcial, resultado de fechamento de posições vendidas após uma sequência de quedas fortes.

O repique, portanto, ocorre em um ambiente de baixa liquidez direcional e maior sensibilidade a movimentos técnicos.

Por que ainda há risco de armadilha de alta?

Apesar da alta repentina, analistas destacam que o quadro estrutural ainda exige cautela. Entre os motivos:

1. Tendência primária continua negativa

Apesar do repique intradiário, HAPV3 segue abaixo de resistências importantes nos gráficos diário e semanal. Sem quebra de pivôs relevantes, o movimento ainda é classificado como corretivo, e não como início de novo ciclo de valorização.

2. Resultados operacionais ainda pressionados

A sinistralidade permanece em patamar elevado, e a companhia ainda não demonstra clareza sobre o ritmo exato de convergência das sinergias prometidas na fusão. O mercado aguarda sinais mais sólidos de recomposição de margens.

3. Alavancagem e custo de capital

Embora a estrutura de dívida não seja alarmante, a combinação de juros altos com necessidade de investimentos contínuos pressiona a geração de caixa no curto prazo.

4. Fluxo estrangeiro mais seletivo

Com realocação global em direção a setores considerados defensivos ou de menor volatilidade, companhias do setor de saúde suplementar continuam sob escrutínio, especialmente quando apresentam histórico recente de revisão de guidances.

Leitura Técnica: repique ainda frágil

Nos gráficos:

  • O ativo recuperou-se após tocar regiões próximas de suporte histórico.

  • O volume da alta foi moderado, não caracterizando entrada forte de compradores institucionais.

  • Quebra dessas resistências é considerada crucial para validar qualquer retomada estrutural.

Enquanto isso não acontece, o movimento atual é classificado como repique dentro de tendência de baixa.

Perspectivas para frente

Para que o mercado volte a precificar HAPV3 de forma sustentada, analistas monitoram:

  • Queda mais consistente da sinistralidade.

  • Evidências de sinergias operacionais chegando ao resultado.

  • Revisões de reajustes em contratos corporativos.

  • Maior previsibilidade sobre custos hospitalares e rede credenciada.

  • Ambiente macro mais favorável, com juros em queda.

A leitura predominante é que o repique não invalida os desafios estruturais. O papel pode seguir volátil enquanto o mercado aguarda dados mais sólidos que sustentem uma narrativa de recuperação.