Fed expõe divisão ao reduzir juros e eleva incertezas sobre inflação nos EUA: o que a ata revela

11/20/20252 min read

A ata da reunião do Federal Reserve de 28 e 29 de outubro trouxe sinais claros de divisão interna sobre a decisão de cortar os juros em 0,25 ponto percentual, para 3,75% a 4,00%. O documento mostra um Fed cauteloso, pressionado por uma inflação persistente, um mercado de trabalho ainda forte e riscos crescentes no mercado financeiro — combinação que aumenta as dúvidas sobre a trajetória futura da política monetária nos EUA.

Fed dividido: cortes de juros x risco inflacionário

Segundo a ata, muitos dirigentes apoiaram a redução dos juros, mas outro grupo importante alertou que o movimento pode dificultar o retorno da inflação à meta de 2%.
As preocupações incluem:

  • risco de desancoragem das expectativas de inflação;

  • sinais de estagnação no progresso desinflacionário;

  • possibilidade de interpretar o corte como enfraquecimento do compromisso do Fed com a estabilidade de preços.

Essa divergência reforça que a inflação segue sendo o principal obstáculo para qualquer ciclo consistente de alívio monetário.

Ausência de dados oficiais aumentou a incerteza

A reunião ocorreu durante a paralisação parcial do governo dos EUA, que interrompeu a divulgação de dados cruciais — como inflação, emprego e atividade econômica.
Com menos visibilidade, o Fed precisou recorrer a dados privados, o que aumentou a sensação de risco e fortaleceu argumentos contrários a cortes agressivos.

Alertas sobre mercado financeiro e bolhas em IA

A ata trouxe ainda um ponto raro: autoridades mencionaram o risco de uma queda desordenada nos preços das ações, especialmente se houver uma reavaliação súbita do forte otimismo com ativos ligados à inteligência artificial.

Esse trecho reforça que o Fed também monitora riscos de bolhas financeiras, ampliados pelo alto volume de investimentos em IA no mercado global.

Próxima reunião: três blocos e nenhuma direção clara

Para dezembro, o Fed está dividido em três grupos:

  1. Vários dirigentes veem espaço para novo corte.

  2. Outro grupo considera cortes apropriados, mas não em dezembro.

  3. Muitos participantes já descartaram reduzir juros no curto prazo.

Esse cenário deixa a política monetária aberta, amplificando a incerteza para investidores, empresas e mercados globais.

Expectativas do mercado mudaram após a ata

Antes de outubro, investidores estimavam mais de 90% de probabilidade de corte em dezembro. Agora, o cenário é indefinido.
As falas de Jerome Powell, afirmando que um novo corte não é inevitável, consolidaram a percepção de que o Fed está mais preocupado com a inflação do que com o crescimento econômico.

O que esperar: estratégia “data-dependent” e cautela máxima

O conjunto da ata mostra um Federal Reserve em modo de vigilância reforçada.
Para os próximos meses, o mercado deve observar três fatores-chave:

  • evolução da inflação subjacente;

  • resiliência do mercado de trabalho;

  • impacto dos juros altos no crédito e na atividade econômica.

Enquanto a inflação não mostrar queda consistente, novos cortes devem permanecer sob forte debate.