Dólar supera R$ 5,40 em dia de ajustes pós-feriado e ruídos entre Planalto e Senado Subtítulo: Moeda norte-americana avança com pressão externa, incertezas políticas e cautela sobre cenário fiscal

O dólar fechou a sexta-feira pós-feriado em forte alta no Brasil, novamente acima dos R$ 5,40, com as cotações ajustando-se às notícias da véspera sobre o mercado de trabalho norte-americano e reagindo negativamente aos ruídos entre Planalto e Senado após a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal.

11/22/20252 min read

Com alta também no exterior, o dólar à vista encerrou o dia em avanço de 1,20%, aos R$ 5,4020 na venda, acumulando ganho semanal de 1,97%.
Às 17h07, o dólar futuro para dezembro subia 1,42% na B3, aos R$ 5,4150.

A moeda norte-americana operou em alta durante todo o dia, ajustando-se ao movimento externo da quinta-feira, quando o Brasil esteve fechado pelo feriado. Na véspera, o Departamento do Trabalho dos EUA divulgou que a economia criou 119 mil vagas em setembro, acima da projeção de 50 mil. A taxa de desemprego subiu para 4,4%, ante estimativa de 4,3%.

Os dados mistos levaram à valorização global do dólar, refletida no pregão brasileiro desta sexta. Segundo Jefferson Rugik, diretor da Correparti Corretora, o mercado local apenas corrigiu o movimento que não pôde acompanhar durante o feriado.

A valorização da moeda também foi reforçada pela queda do petróleo e por novas altas do dólar diante de moedas emergentes e de exportadores de commodities. Ordens de stop loss ajudaram a intensificar o movimento.

Outro fator de pressão foi a repercussão política da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF. A escolha, segundo relatos, desagradou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que apoiava o nome de Rodrigo Pacheco. O episódio elevou preocupações sobre o clima político e possíveis impactos fiscais.

Durante a tarde, o economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares, afirmou que a indicação e o risco de pautas contrárias ao ajuste fiscal no Senado reacenderam os temores fiscais, refletindo-se principalmente no câmbio.

O dólar chegou à mínima de R$ 5,3511 às 9h03, mas atingiu a máxima de R$ 5,4194 às 12h36.

Mesmo a notícia de que o presidente Donald Trump assinou decreto retirando a tarifa de 40% sobre produtos brasileiros — como carne bovina, café e suco de laranja — não foi suficiente para conter a pressão cambial. A medida tende a favorecer as exportações brasileiras e poderia influenciar o fluxo cambial.

No cenário externo, apesar de novas apostas em cortes de juros nos EUA em dezembro, o dólar continuou forte frente à maioria das moedas. Às 17h12, o índice do dólar subia 0,03%, a 100,190, com ganhos também sobre o peso mexicano e o peso chileno.