Dólar sobe contra o real apesar de queda no exterior; fluxo de saída e fatores locais pesam

O dólar à vista fechou em alta de 0,47%, cotado a R$ 5,3606, nesta segunda-feira, em um movimento na contramão do mercado internacional, onde a moeda norte-americana recuou diante da maioria das divisas globais. No acumulado do ano, entretanto, o dólar ainda registra queda de 13,24% frente ao real. Às 17h02, o dólar futuro para janeiro — o contrato mais negociado na B3 — avançava 0,42%, para R$ 5,3930.

12/1/2025

Exterior favorece queda do dólar, mas Brasil vai na direção oposta

No cenário internacional, o dia foi de fraqueza do dólar, sobretudo ante o iene japonês, após declarações do presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, indicando que as condições estão se alinhando para um possível início de alta de juros no Japão — algo inédito após anos de política monetária ultraexpansionista.

Esse movimento pressionou o índice DXY e ajudou a derrubar a moeda norte-americana frente a outras divisas importantes.

Por que o dólar subiu no Brasil?

Mesmo com o pano de fundo internacional negativo para o dólar, o comportamento local foi distinto. A moeda chegou a cair pela manhã, acompanhando o exterior, mas virou para alta ainda antes do fim da manhã.

📉 Mínima do dia: R$ 5,3274 (-0,15%) às 9h14
📈 Máxima do dia: R$ 5,3626 (+0,51%) às 16h33

Segundo analistas, três fatores explicam o descolamento:

1. Fluxo sazonal de saída em dezembro

Historicamente, o mês registra:

  • Remessas de lucros e dividendos para o exterior

  • Aumentos de demanda corporativa por dólar

  • Realocação de carteiras no fim do ano

2. Fatores domésticos no radar

Investidores seguem atentos ao ambiente local:

  • Expectativas para política monetária

  • Debate fiscal

  • Ruídos políticos e sensibilidade do real a riscos internos

3. Realização do investidor estrangeiro na bolsa

Com o Ibovespa vindo de recordes recentes, parte dos fluxos internacionais tende a:

  • Realizar lucros →

  • Reduzir exposição →

  • Migrar momentaneamente para dólar

O diretor da FB Capital, Fernando Bergallo, sintetizou a leitura do mercado:

"Estamos na contramão do exterior hoje. Eu creditaria isso ao foco nas questões locais, ao fluxo sazonal e ao movimento de realização do investidor estrangeiro na bolsa."