Dólar recua e volta a se aproximar dos R$ 5,30 com expectativa de corte de juros nos EUA

O dólar voltou a cair frente ao real nesta quarta-feira, acompanhando o movimento internacional de enfraquecimento da moeda norte-americana. A expectativa crescente de cortes de juros nos Estados Unidos deu o tom do mercado, levando a divisa para perto dos R$ 5,30 ao longo do dia.

12/4/2025

Dólar fecha em baixa e acumula perdas no ano

O dólar à vista encerrou o pregão em queda de 0,31%, cotado a R$ 5,3136, enquanto o contrato futuro para janeiro recuou 0,34%, para R$ 5,3445. No acumulado do ano, a moeda norte-americana já registra desvalorização de 14,01%.

Durante o pregão, a cotação chegou a bater mínima de R$ 5,2988, refletindo o apetite ao risco e a expectativa de que o ciclo de flexibilização monetária nos EUA seja retomado ainda este mês.

Expectativa de um Fed mais “dovish” impulsiona o mercado

O principal fator por trás da queda global do dólar foi a perspectiva de que o próximo presidente do Federal Reserve, a ser indicado por Donald Trump no início de 2026, terá um perfil mais dovish — termo que representa maior tolerância à inflação e preferência por juros mais baixos.

Entre os nomes ventilados pela imprensa norte-americana, Kevin Hassett, assessor econômico da Casa Branca, aparece como favorito, aumentando entre investidores a chance de um corte de juros já na próxima reunião.

Além disso, dados divulgados pela manhã reforçaram a chance de flexibilização monetária. O relatório da ADP mostrou fechamento de 32 mil vagas no setor privado, contrariando a previsão de criação de 10 mil postos. O sinal de desaceleração do mercado de trabalho fortaleceu a tese de que o Fed precisará agir para sustentar a atividade econômica.

Mercado local acompanha sinalizações políticas entre Brasil e EUA

No cenário doméstico, o dólar também encontrou espaço para recuar após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Após conversar por telefone com Donald Trump, Lula afirmou que os Estados Unidos devem anunciar em breve a revogação de tarifas sobre produtos brasileiros, reduzindo tensões comerciais que vinham pressionando o câmbio nos últimos meses.

Atuação do Banco Central e fluxo cambial

O Banco Central realizou a venda de 50 mil contratos de swap cambial para rolagem de vencimentos de janeiro, contribuindo para a liquidez do mercado. Mais tarde, divulgou que o fluxo cambial de novembro foi negativo em US$ 7,115 bilhões, dado que ajuda a explicar parte da volatilidade recente no câmbio.

Dólar perde força no exterior

No ambiente internacional, o dólar recuou de forma ampla. O DXY, índice que mede o desempenho da moeda frente a seis divisas fortes, caía 0,44%, a 98,865 por volta das 17h08, refletindo o ajuste das expectativas de política monetária.