BTG Pactual (BPAC11) afirma ter zerado exposição ao Banco Master antes da liquidação
Instituição reforça que risco foi eliminado em abril, enquanto efeitos da liquidação do Master atingem empresas e investidores
11/23/2025


O BTG Pactual (BPAC11) emitiu nesta sexta-feira (21) um comunicado ao mercado detalhando sua exposição ao Banco Master — instituição que teve sua liquidação decretada pelo Banco Central após operação da Polícia Federal sobre emissão fraudulenta de títulos de crédito. A divulgação busca responder às dúvidas que se espalharam entre investidores após o episódio.
Exposição chegou a 1,19%, mas foi totalmente encerrada
De acordo com o BTG, o banco chegou a alocar aproximadamente 1% de seus recursos em operações compromissadas relacionadas ao Master. Esse percentual atingiu o pico de 1,19% em fevereiro de 2024, mas, segundo a instituição, foi sendo reduzido ao longo dos meses até chegar a zero em abril.
O BTG classificou a exposição como “baixa” e garantiu que não possui hoje qualquer posição ativa vinculada ao Grupo Master.
Apesar disso, o banco admite que pode ter realizado, no passado recente, operações financeiras de rotina ou serviços de banco de investimento para o grupo — algo comum em relações bancárias entre instituições.
Além do histórico operacional, o BTG também é apontado como um dos principais distribuidores dos CDBs do Banco Master e chegou a adquirir R$ 1,5 bilhão em ativos do fundador da instituição, Daniel Vorcaro, preso em 17 de fevereiro durante ação da PF.
FGC deve ressarcir clientes, mas perdas são inevitáveis para grandes investidores
Com a liquidação do Banco Master decretada pelo BC, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) inicia o processo de ressarcimento dos investidores que possuíam aplicações — como os populares CDBs.
Entretanto, os limites permanecem os mesmos:
Até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição
Teto de R$ 1 milhão a cada quatro anos
Investidores que aplicaram valores superiores a esse limite devem sofrer prejuízos.
Empresas listadas na Bolsa também sofrem impacto
A liquidação do Master não afeta apenas investidores individuais. Pelo menos quatro grandes empresas já confirmaram exposição relevante ao banco:
Oncoclínicas (ONCO3)
Investiu R$ 433 milhões em CDBs do Master.
Já havia provisionado R$ 217 milhões entre setembro e outubro após o rebaixamento do rating da instituição.
Entrou na liquidação ainda exposta a R$ 216 milhões.
Emae (EMAE3)
Mantinha 5,8% dos ativos em CDBs do Letsbank, ligado ao Master.
Diz ter caixa suficiente para manter suas operações.
Banco da Amazônia (BAZA3)
Investiu R$ 39 milhões em Letras Financeiras do Master — um produto não coberto pelo FGC.
O valor representa menos de 0,19% do portfólio total.
A instituição pretende buscar ressarcimento junto ao liquidante.
Cedae
Tinha CDBs do Master em carteira.
Solicitou resgate antes da liquidação, mas não recebeu o valor.
Também pedirá o crédito ao liquidante.
Conclusão: Mercado acompanha desdobramentos e impacto sobre BPAC11
Embora o BTG Pactual tenha enfatizado que não possui mais risco associado ao Master, o mercado acompanha de perto os desdobramentos da liquidação, tanto pela relevância das empresas afetadas quanto pela dimensão do impacto sobre investidores de renda fixa.
A narrativa de que o banco zerou sua exposição antes da crise tende a mitigar riscos à imagem e ao desempenho de BPAC11, enquanto o caso reacende debates sobre gestão de risco, distribuição de CDBs e governança no setor financeiro.
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