Bitcoin cede abaixo de US$ 90 mil com êxodo de ETFs e incerteza macro estendida

11/20/2025

O mercado de criptoativos enfrentou mais um pregão de intensa aversão ao risco nesta quarta-feira, 19 de novembro, com o Bitcoin cedendo à pressão vendedora e rompendo a marca de US$ 90 mil — seu menor nível em sete meses. O sentimento negativo é amplificado pelo índice Fear and Greed, que voltou ao patamar de “Medo Extremo”, e pela crescente incerteza em relação ao rumo da política monetária dos Estados Unidos. A queda acumulada de 19% em 30 dias evidencia uma das correções mais rápidas deste ciclo, levando o BTC a um recuo de 30% desde o pico de outubro.

Por volta das 17h (horário de Brasília), o Bitcoin era negociado a US$ 88.727,1, queda diária de -4,87%. As altcoins ampliaram o movimento: Ethereum recuou para US$ 2.883,91 (-7,72%) enquanto XRP caiu para US$ 2,0348 (-8,71%). Dados da Binance mostram que a retração levou a capitalização total do mercado cripto a se aproximar dos US$ 3 trilhões, uma perda expressiva frente ao topo recente do ciclo.

A deterioração do cenário está ligada à combinação entre menor expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve e saída acelerada de capital institucional. A probabilidade de redução da taxa em dezembro despencou de 91% para 34%, revertendo o ambiente de liquidez que havia sustentado o Bitcoin no início do ano. Ao mesmo tempo, ETFs de BTC à vista registraram cinco dias consecutivos de saídas líquidas, somando US$ 2,2 bilhões, com destaque para o resgate histórico do iShares Bitcoin Trust (IBIT), da BlackRock. O movimento reforça o clima de aversão ao risco, que também pressiona ações de tecnologia em meio ao debate sobre uma possível bolha de IA.

A reação dos investidores indica uma fase de desalavancagem e teste de suportes técnicos importantes. A liquidação eliminou cerca de US$ 8,5 bilhões em posições compradas desde novembro, evidenciando uma limpeza de alavancagem no mercado. A perda do suporte de US$ 90 mil direciona o foco para a região de US$ 88 mil — ponto visto como o próximo piso relevante. Caso esse nível seja defendido pelos compradores, o sentimento extremo pode funcionar como indicador contrariano, sugerindo exaustão vendedora.

“A pressão vendedora é ampla. O Bitcoin rompeu o suporte dos seis dígitos puxado por vendas à vista mais fortes, fluxo fraco nos ETFs e um ambiente global cada vez mais avesso ao risco. A liquidez diminuiu justamente no pior momento, com menos suporte de grandes fundos, tesourarias corporativas e investidores de varejo. O cenário macroeconômico pesa muito. O Federal Reserve sinalizou que pode interromper — ou até reverter — o ciclo de cortes de juros, já que a inflação segue resistente. Isso reacendeu a volatilidade nos yields, contaminou ações de tecnologia e aumentou a pressão sobre todos os ativos de crescimento, incluindo o próprio Bitcoin. A isso tudo se soma a preocupação crescente com uma possível bolha de IA, alimentando um clima de pânico entre investidores globais”, apontou Guilherme Prado, country manager da Bitget no Brasil.

No curto prazo, o nível crítico segue sendo o suporte em US$ 88 mil. Caso seja rompido, o movimento pode acelerar a tendência de baixa, enquanto uma recuperação sustentada acima de US$ 90 mil abriria espaço para um repique técnico. O mercado, no entanto, permanece sensível a qualquer sinal do Fed e ao comportamento dos ETFs, que hoje definem grande parte do fluxo de capitais no universo cripto.