BC afirma que liquidação do Banco Master não representa risco sistêmico e reforça alerta sobre crédito

11/20/2025

A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada nesta semana pelo Banco Central, não representa risco sistêmico para o sistema financeiro brasileiro, afirmou a autarquia nesta quarta-feira. Segundo o Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), o tamanho relativamente pequeno da instituição impede que seu colapso gere efeito dominó ou desequilíbrios estruturais no setor.

A declaração ocorre em meio à prisão do dono do banco, Daniel Vorcaro, pela Polícia Federal, investigado por crimes contra o sistema financeiro. Minutos após o anúncio da operação, o BC determinou a liquidação do conglomerado por graves violações regulatórias e problemas relevantes de liquidez.

Participação reduzida e impacto controlado

De acordo com o BC, o grupo Master representa:

  • 0,57% dos ativos totais do sistema financeiro

  • 0,55% das captações totais

Por isso, a autarquia conclui que o evento “não traz risco de natureza sistêmica”, reforçando que a solvência e o capital do sistema permanecem robustos.

O Banco Central também afirmou que o país está preparado para absorver materialização de risco de crédito, ainda que o ambiente econômico siga desafiador.

Crédito desacelera, mas ainda cresce acima da média histórica

O BC destacou que o crescimento do crédito continua perdendo força, tanto nos bancos quanto no mercado de capitais, acompanhando a desaceleração da atividade econômica.

Ainda assim, o ritmo permanece historicamente elevado, mesmo em um cenário de:

  • Taxa básica de juros contracionista (Selic em 15% ao ano)

  • Inadimplência elevada

  • Endividamento significativo de famílias e empresas

  • Comprometimento de renda ainda pressionado

Por essa razão, o Comef reforçou que o momento exige cautela e diligência na concessão de crédito.

BC mantém Adicional Contracíclico de Capital Principal (ACCP) em 0%

Apesar de ter sinalizado em maio a possibilidade de elevar o ACCP — um importante instrumento prudencial usado para moderar riscos em ciclos de crédito —, o BC decidiu manter seu valor em 0%.

A ideia do adicional contracíclico é simples:

  • Em ciclos de expansão: bancos acumulam capital extra

  • Em ciclos de contração: usam esse colchão para absorver perdas

Mesmo estudando mudanças que poderiam implementar um valor positivo para o instrumento, o BC afirmou que o cenário atual de incerteza não justificou a alteração.

Juros elevados continuam pressionando a atividade

A Selic, mantida em 15% ao ano, segue cumprindo o papel de desacelerar a economia para levar a inflação à meta de 3%. O Copom registrou, na reunião deste mês, uma desaceleração mais nítida do mercado de crédito, influenciada diretamente pelo juro alto.

Com isso, a liquidação do Banco Master surge como mais um ponto de atenção, mas não como ameaça à estabilidade financeira — pelo menos no curto prazo, segundo a autoridade monetária.