Bancos europeus devem superar o mercado até 2026, aponta análise otimista do JPMorgan
Os bancos europeus seguem fortalecendo sua posição no cenário global e, segundo o JPMorgan, estão no caminho para continuar superando o mercado até 2026. A combinação de fundamentos sólidos, estabilidade macroeconômica e avaliações ainda atrativas coloca o setor em um momento considerado “perfeito” pelos analistas da instituição.
12/2/2025


Cenário macroeconômico favorável impulsiona os bancos europeus
Segundo o relatório, o ambiente operacional na Europa permanece altamente positivo. A união entre crescimento consistente do PIB, baixa volatilidade e taxas de juros estáveis do Banco Central Europeu (BCE) cria condições ideais para:
Continuidade no crescimento de empréstimos
Manutenção da qualidade dos ativos
Estabilidade no sistema financeiro
Os analistas liderados por Kian Abouhossein reforçam que esses fatores sustentam uma visão otimista para o setor ao entrar em 2026.
Lucros crescentes e alavancagem operacional positiva
O JPMorgan projeta que:
O lucro antes de provisões deve crescer 5,5% ao ano
Os lucros líquidos devem avançar 9,7% até 2027, apoiados principalmente por programas de recompra de ações
O setor mantém alavancagem operacional positiva, com custos subindo apenas 1,7% ao ano, enquanto as receitas avançam 3,6%
Isso reforça a eficiência operacional das instituições, que conseguem expandir receitas sem elevar proporcionalmente suas despesas.
Avaliações ainda atraentes para investidores
Embora o setor tenha se valorizado ao longo de 2024 e 2025, o JPMorgan argumenta que as avaliações permanecem competitivas. Os bancos europeus negociam atualmente a:
8,9 vezes os lucros de 2027, abaixo de seus pares americanos
Com um RoTE (retorno sobre o patrimônio tangível) estimado em 16,2%
E um custo de capital estimado em queda, de 11% para 10% até 2026
Com isso, o banco projeta pelo menos 12% de valorização adicional em 2026, reforçando o potencial de retorno.
O que é RoTE?
RoTE (Return on Tangible Equity) é uma métrica que avalia a rentabilidade de uma instituição considerando apenas o patrimônio líquido tangível, excluindo ativos intangíveis.
Desconto em relação aos bancos americanos deve diminuir
Mesmo após forte desempenho, o setor bancário europeu ainda negocia com desconto de 17% no múltiplo preço/lucro em relação aos bancos dos EUA. Para o JPMorgan, esse desconto está excessivamente alto, especialmente considerando:
A solidez de capital das instituições europeias
A melhora dos fundamentos
O fato de alguns bancos americanos negociarem a múltiplos superiores, mesmo com riscos maiores
Essa diferença de precificação sugere margem adicional de revalorização para os bancos da Europa.
Retorno ao acionista segue robusto
O banco estima que o retorno total ao acionista deve permanecer próximo de 8% ao ano, somando:
Dividendos
Programas de recompra de ações
Além disso, o setor mantém buffers de capital sólidos, capazes de absorver cerca de 268 pontos-base em provisões antes que o lucro fique negativo — um colchão de segurança relevante.
Principais escolhas do JPMorgan entre os bancos europeus
A instituição mantém foco em bancos com valuations atrativos e forte geração de capital. Entre as principais apostas estão:
Barclays
NatWest
Deutsche Bank
Société Générale
Novas adições à lista:
Caixabank
Standard Chartered
Erste Group
Esses bancos, segundo o JPMorgan, combinam estabilidade financeira, boa rentabilidade e potencial adicional de valorização.
Riscos que podem afetar o setor bancário europeu
Apesar do otimismo, alguns fatores seguem no radar:
Queda inesperada das taxas de juros
Incertezas políticas na França
Aumento da competição por depósitos
Esses elementos podem pressionar margens ou elevar a volatilidade no curto prazo.
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