A IA está realmente impulsionando o crescimento econômico dos EUA?
Apesar do boom no mercado de tecnologia, impactos ainda são limitados fora do setor de TIC
11/22/2025


O avanço da inteligência artificial transformou o mercado de ações e redefiniu as prioridades de investimento das grandes corporações. No entanto, seu impacto direto sobre o crescimento econômico norte-americano ainda é restrito. Segundo uma análise da Capital Economics, o impulso da IA permanece concentrado no setor de tecnologia, longe de configurar — por ora — o tão esperado “milagre de produtividade” que sustentaria uma década de expansão.
A consultoria destaca que o efeito econômico do boom da IA já é visível na atividade das indústrias de tecnologia da informação e comunicação (TIC). No primeiro semestre de 2025, hardware, software e serviços de processamento de dados responderam por quase 0,9 ponto percentual do PIB dos EUA — quase o dobro do observado na última década. Esse salto é sustentado por um ciclo de investimentos acelerado: o crescimento anual do aporte em hardware e data centers chegou a cerca de 40%, enquanto os investimentos em software contribuíram, em média, com 0,5 ponto percentual para o PIB no período.
Apesar disso, o avanço permanece fortemente concentrado. Fora do núcleo de TIC, há poucas evidências de que a IA esteja elevando a produtividade em setores como saúde, finanças, imóveis ou educação. Embora a produtividade do trabalho tenha aumentado dentro das indústrias de tecnologia — impulsionada pela expansão da produção e pela redução do quadro de funcionários — esses ganhos não se disseminaram para o restante da economia. Nas empresas fora do setor tecnológico, a taxa de adoção da IA ainda não ultrapassa 15%.
Embora o setor de TIC esteja registrando um “boom de produtividade” ao conseguir produzir mais com menos trabalhadores, o mesmo efeito não se replica nos demais serviços. Além disso, o resfriamento do crescimento da folha de pagamento para níveis abaixo de 50 mil vagas mensais reforça a percepção de que o impulso atual é particular ao universo tecnológico.
Os preços mais baixos de bens e serviços de tecnologia também contribuíram para derrubar o deflator do PIB em 0,5% neste ano — uma influência relevante, mas isolada. No resto da economia, as pressões inflacionárias seguem praticamente inalteradas, sugerindo que a deflação associada à IA ainda não se espalhou.
A Capital Economics alerta que parte dos ganhos recentes de produtividade pode estar ligada a fatores cíclicos, como os ajustes do mercado de trabalho pós-pandemia, e não necessariamente à adoção de IA em larga escala. O grande teste, segundo a consultoria, será observar se a tecnologia conseguirá penetrar setores mais amplos, que juntos representam cerca de 40% do PIB dos EUA.
Apesar da euforia do mercado financeiro e do forte crescimento dos investimentos, o diagnóstico é cauteloso: os EUA estão apenas nos estágios iniciais do ciclo de IA. Sustentar dois trimestres de aceleração é uma coisa; manter esse ritmo por uma década, outra bem diferente.
Por ora, os efeitos da IA sobre o crescimento econômico permanecem iniciais, concentrados e ainda dependentes do setor de TIC, sem sinais claros de um impacto generalizado sobre a produtividade americana.
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